OLHO SECO: mais comum do que você imagina

olho seco
Compartilhe!

Olá mais um vez!

Hoje, vim abordar um tema extremamente comum na vida de todo mundo e no dia-a-dia do consultório: a Síndrome do Olho Seco.

Logo de início, é importante entender que, quando dizemos “olho ressecado” não necessariamente estamos falando de ausência de lágrimas, mas de uma disfunção da lubrificação do olho, muitas vezes por uma má qualidade da lágrima. No entanto, foi o termo “ressecamento” que caiu no popular, logo, é ele que utilizaremos para fins de explicação.

 

Como funciona a nossa lágrima?

Como já mencionado, a Síndrome do Olho Seco é uma disfunção da fabricação ou qualidade da lágrima, logo, precisamos entender a importância e funcionamento desta antes de mais nada.

A lágrima é uma camada que protege a superfície ocular. Sua função vai além da lubrificação que o olho necessita, reduzindo o atrito com a pálpebra ao piscar. Ela também possui algumas enzimas e anti-corpos que atuam na defesa do olho e regulariza a superficie ocular, melhorando a qualidade da visão.

produção da lagrima

camadas da lágrima

Quando estudamos a composição da lágrima, ela, na verdade, é mais do que apenas uma camada líquida produzida pela glândula lacrimal, mas também possui uma camada lipídica (de gordura) produzida por glândulas presentes na borda das pálpebras (Glândulas de Meibômio), que tem função de impedir que a lágrima evapore rápido demais entre uma piscada e outra e uma camada mucosa, produzida pela conjuntiva, responsável por fazer com que a lágrima se distribua de forma bastante uniforme na superfície do olho.

Assim, fica fácil entender que quaisquer alterações que provoquem redução da produção da lágrima ou alteração das suas camadas lipídica e mucosa, podem provocar a Síndrome do Olho Seco. Vejamos, a seguir, algumas dessas principais causas.

Principais causas de Olho Seco

A Síndrome do Olho Seco pode ser desencadeada por qualquer desequilíbrio entre produção e evaporação da lágrima. As principais causas são:

 

1) Ambiente seco, com baixa umidade do ar. Quase todos nós podemos nos encaixar nesse grupo, uma vez que, no nosso país, muitas áreas são de clima seco e as áreas de clima úmido costumam ser quentes, logo, o ar condicionado em ambientes fechados faz parte da rotina, o que reduz bastante a umidade do ar, acelerando a evaporação da lágrima.

olho seco

2) Redução da freqüência da piscada, que pode ocorrer toda vez em que realizamos alguma atividade que demanda mais atenção, como leitura prolongada ou uso do computador. Essa redução das vezes que piscamos é uma reação involuntária e favorece tanto a evaporação mais rápida da lágrima, como afeta a distribuição da mesma na superfície ocular, já que é o movimento da piscada que é responsável por espalhar a lágrima de maneira uniforme.

olho seco no computador

3) Alterações hormonais, especialmente a menopausa. É muito comum que, após os 40 anos, especialmente pacientes do sexo feminino, começem a experimentar sensação de ressecamento, não apenas ocular, mas das mucosas em geral.

olho seco e menopausa

4) Algumas doenças sistêmicas, como hipotireoidismo, diabetes, síndrome de Sjögren e outras doenças reumatológicas.

5) Outras alterações da superfície ocular, como a Blefarite (já abordada neste artigo aqui) que atrapalha a produção da camada lipídica da lágrima, provocando um tipo de Olho Seco que chamamos Evaporativo. Outra alteração de superfície ocular é o Pterígio que, quando apresenta-se volumoso, pode atrapalhar a distribuição uniforme da lágrima.

blefarite e meibomite

olho seco no pterigio

6) Alguns medicamentos, tanto orais quanto tópicos, podem cursar com redução da quantidade e/ou qualidade da lágrima. Muito comum em uso de anticoncepcionais orais e colírios para tratamento de glaucoma.

7) Idade quanto mais avançada, maior a probabilidade de haver alguma disfunção da lágrima ou da mecânica da sua distribuição na superfície ocular, mesmo devido à flacidez da pele da pálpebra, que pode atrapalhar o movimento adequado da piscada.

O que eu sinto quando tenho Olho Seco?

A grande maioria dos sintomas de ressecamento ocular são facilmente confundíveis com os de outras doenças oftalmológicas. Por essa razão, é de extrema importância realizar uma avaliação com o seu médico oftalmologista de confiança, para que o diagnóstico adequado seja realizado e não se auto medicar.

A córnea, presente na parte anterior dos olhos, possui uma enorme quantidade de terminações nervosas e é extremamente dependende de uma boa lubrificação para manter-se saudável. Por esse motivo, qualquer alteração da lágrima acaba provocando sintomas, muitas vezes intensos.

Os mais comuns são:

1)Sensação de corpo estranho, como se houvesse areia nos olhos.

2) Irritação, ardência.

Prurido ocular na blefarite

3) Vermelhidão ocular, que costuma ser pior ao acordar e ao final do dia.

hiperemia no olho seco

4) Fotofobia – maior sensibilidade à luz.

5) Dor ocular, que pode ser intensa em casos de ressecamento moderado a grave.

6) Lacrimejamento, que pode ser excessivo. Isso parece um pouco contraditório, eu sei, mas lembra como eu mencionei que ressecamento não necessariamente é ausência de lágrima, mas uma má qualidade da mesma? Pois é…uma lágrima de má qualidade é um estímulo contínuo para que o olho fabrique mais e mais lágrimas, que nem sempre são da qualidade necessária, e acabamos lacrimejando devido a esse excesso de produção lacrimal.

olho seco

Tratando o Olho Seco

tratamento do olho seco

A base do tratamento da Síndrome do Olho Seco é quebrar o ciclo de baixa qualidade ou baixa produção da lágrima.

Para tanto, o mais comum é lançarmos mão de colírios lubrificantes, também conhecidos como lágrimas artificiais.

Existem inúmeros tipos de colírios lubrificantes disponíveis no mercado. A avaliação com o oftalmologista permitirá saber qual a sua principal causa de olho seco, a gravidade do quadro, ajudando a decidir o tipo de colírio e a freqüência com que deve ser usado.

Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, o tratamento do Olho Seco deve ser individualizado para que atinja um resultado satisfatório e devolva o conforto ocular para  o paciente.

Portanto, na presença de algum desses sintomas oculares, procure seu oftalmologista!

 

Um grande abraço e até a próxima  :)

 

Compartilhe!

Posted on 26 de abril de 2016 in Superfície Ocular

Share the Story

About the Author

Back to Top