HIPERMETROPIA: por que eu usava óculos quando criança?

hipermetropia
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“Doutora, quando eu era criança, usava óculos, mas, com o tempo, essa necessidade foi diminuindo…”

Mais um relato bastante comum no consultório oftalmológico. Trata-se da Hipermetropia. Embora seja extremamente comum na infância, não é exclusiva dessa faixa etária. Vamos entender já, já.

Entendendo a Hipermetropia

No artigo sobre miopia (leia aqui) expliquei sobre o funcionamento do foco na visão. O que ocorre na Hipermetropia é a formação do foco da imagem atrás da retina – exatamente o contrário da miopia. Veja:

 

oftalmologista miopia e hipermetropia

O principal motivo para que isso ocorra é um desequilíbrio entre a atuação das lentes naturais do olho (córnea e cristalino) e o tamanho do olho em si. No caso da Hipermetropia, é como se o olho fosse menor do que deveria ser.

Por essa razão, ela é muito comum na infância, já que os olhos não concluíram o seu crescimento e ainda apresentam um comprimento ântero-posterior menor.

O sintoma da visão embaçada na Hipermetropia tende a piorar quanto mais próximo estiver o objeto, apesar da visão para distância também ficar prejudicada caso o grau seja mais elevado.

O que eu sinto quando tenho Hipermetropia?

O principal sintoma da Hipermetropia é a visão embaçada. Como já mencionado anteriormente, esse embaçamento tende a ser pior para perto, mas pode acometer a visão para distância, caso o grau seja mais elevado. Quando o grau é menor, esse sintoma pode não chegar a embaçar, mas causar um desconforto ao focar objetos próximos e mesmo dor de cabeça.

Por esse motivo, quando há o início do desenvolvimento da Presbiopia (vista cansada para perto após os 40 anos – leia aqui), tanto o grau para perto quanto os sintomas tendem a ser maiores em quem já tem Hipermetropia.

 

miopia-e-hipermetropia

Adaptação do olho à Hipermetropia

Falamos um pouco sobre isso no artigo da “miopia induzida por dispositivos móveis”, mas vamos relembrar:

A nossa lente natural, o Cristalino, consegue modificar o seu formato de modo a alternar o foco pra longe com o foco para perto, de acordo com a nossa necessidade. Essa alteração de formato é gerada por um grupo de músculos bem pequenos que temos dentro dos nossos olhos.

Quando esses músculos atuam para melhorar o foco para perto, damos o nome de Acomodação. Toda vez que focalizamos algo próximo dos nossos olhos, há uma tendência dos raios de luz focarem-se atrás da nossa retina. Para evitar que a imagem fique borrada, nossos olhos ativam esse reflexo da Acomodação, ou seja, o Cristalino muda de formato, conseguindo alterar o seu poder de foco, trazendo a formação da imagem para a retina. Veja:

 

miopia induzida

 

Fica fácil entender que, quando é necessário, o Cristalino aumenta a sua força de Acomodação, trazendo o ponto da formação de foco para frente, para que o mesmo caia sobre a retina.

Na infância, esses músculos estão no auge da sua força e, portanto, conseguem compensar graus mais altos de Hipermetropia, sem gerar sintomas visuais ou cefaléia. Nesses casos, pode não haver a necessidade de corrigir o grau com óculos.

No entanto, caso a criança apresente borramento da visão, déficit do desenvolvimento da visão, cefaléia ou mesmo estrabismo, a correção torna-se necessária. O médico oftalmologista pode avaliar caso a caso a necessidade de correção parcial ou total do grau apresentado.

Já na idade adulta, essa musculatura só consegue compensar muito pouco da Hipermetropia e, por isso, é bastante comum a necessidade do uso de óculos nesses casos.

Tratamento da Hipermetropia

Quando há a necessidade, o uso de lentes corretivas é a forma mais comum de tratamento – óculos ou lentes de contato – oferecendo a compensação que as lentes naturais não conseguem atingir sozinhas, para trazer o foco para a Retina.

Cirurgia refrativa também pode ser uma opção. O médico oftalmologista fornecerá a melhor solução para cada caso.

Como em qualquer outra afecção oftalmológica, é de suma importância manter um acompanhamento ao menos anual com o seu oftalmologista de confiança, a fim de avaliar não só a evolução da Hipermetropia, como detectar precocemente quaisquer outras alterações oculares.

 

Grande abraço e até a próxima :)

 

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Posted on 5 de julho de 2016 in Erros de Refração

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