GLAUCOMA: você está em risco?

Fatores de risco para Glaucoma
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Olá! No artigo de hoje, vamos aprofundar um pouquinho mais o conhecimento sobre o Glaucoma e aprender quais são os principais fatores de risco para desenvolvê-lo.

Anteriormente, expliquei o que exatamente é essa doença e vimos que, além de ser assintomática, ela pode provocar alterações visuais irreversíveis. Caso você não tenha lido o artigo inicial ou queira relembrar o que foi dito, clique aqui.

Pressão ocular: o pontapé para o Glaucoma

Sem sombra de dúvidas, o principal fator de risco para o desenvolvimento e evolução da lesão glaucomatosa é a Pressão Intraocular (sigla: PIO).

Na população em geral, pode-se considerar como uma faixa de pressão ocular normal valores que variam de 10 mmHg (unidade: milímetros de mercúrio) até 21 mmHg. Nos mais idosos, a PIO média é maior, particularmente em mulheres, chegando a valores mais próximos do 21. Estima-se que 7% da população acima de 40 anos tenha PIO acima de 21 mmHg sem apresentarem glaucoma. Esses casos são chamados de Hipertensos Oculares ou casos suspeitos.

pressão ocular no glaucoma

Da mesma forma, quando uma pessoa já apresenta lesão glaucomatosa, dependendo da sua gravidade, mesmo uma PIO de 18mmHg, por exemplo – que seria considerada normal em alguém sem glaucoma -, pode representar perigo de evolução da doença.

Outros fatores de risco para o Glaucoma

Além da pressão ocular elevada, outros fatores, em especial a combinação de mais de um deles, representam maior risco para o desenvolvimento do Glaucoma.

História familiar

História familiar de glaucoma

O segundo maior fator de risco para o desenvolvimento do Glaucoma é possuir um histórico familiar desta doença. O risco é consideravelmente maior quanto mais próximo for o grau de parentesco, especialmente pais ou irmãos.

É estimado que a chance de desenvolvimento dessa doença pode aumentar em quase 10x quando se possui um parente de primeiro grau com Glaucoma.

Idade avançada

idade avançada no glaucoma

Apesar de existirem casos de Glaucoma em faixas etárias menores, a prevalência aumenta consideravelmente com o aumento da idade do paciente. Pessoas na terceira idade têm um maior risco de desenvolver essa doença, motivo pelo qual, com o passar dos anos, faz-se mais necessário um acompanhamento oftalmológico.

Etnias

etnias no glaucoma

O Glaucoma é mais prevalente entre indivíduos afrodescendentes. Estes apresentam um risco até 3 vezes maior de desenvolver a doença e que esta apresente um controle mais difícil, aumentando a chance de evolução para a cegueira. Em indivíduos asiáticos, é comum um tipo de glaucoma de controle mais difícil, chamado Glaucoma de Ângulo Fechado – falaremos mais sobre os tipos de glaucoma nos próximos artigos.

Córnea fina

A córnea é a parte transparente anterior do olho. Sua espessura pode ser medida através de um exame chamado Paquimetria.

Para medir a pressão intraocular, utilizamos um aparelho que provoca um leve aplanamento na superfície da córnea, no intuito de calcular a resistência provocada pela pressão de dentro do olho.

córnea fina no glaucoma

 

Dessa forma, é fácil entender que, quando uma córnea é muito fina, ela oferece uma resistência baixa a esse aplanamento, o que “confunde” o aparelho, que acaba por registrar uma PIO erroneamente mais baixa do que a real.

Uma pressão ocular subestimada pode retardar o diagnóstico do Glaucoma e, portanto, córneas mais finas são consideradas fator de risco para essa doença.

Miopia e Hipermetropia

ametropias no glaucoma

Novamente citarei um tópico que faz parte das cenas dos próximos capítulos, mas o Glaucoma de Ângulo Fechado é mais comum em olhos que possuem hipermetropia, basicamente por serem olhos que apresentam uma anatomia favorável ao fechamento do ângulo – entenderemos melhor no próximo artigo.

Por sua vez, pacientes com alta miopia são citados em alguns estudos como mais vulneráveis a uma progressão mais rápida da doença em relação aos pacientes não míopes.

Baixa pressão arterial

hipotensão no glaucoma

Muitos são os pacientes que me perguntam em consultório se o fato de serem hipertensos pode aumentar o risco de desenvolver Glaucoma ou mesmo piorar a sua progressão. Nesse caso, é justamente o contrário. Uma baixa pressão arterial sistêmica (especialmente se for menor que 125 x 50 mmHg) pode dificultar bastante o aporte sanguíneo para o olho, ainda mais se a PIO for elevada.

Chamamos de pressão de perfusão ocular a diferença entre a pressão intraocular e a pressão arterial. Quando a perfusão cai, há uma redução considerável na quantidade de nutrientes que chega até as fibras nervosas da retina e o nervo óptico, o que piora a lesão glaucomatosa.

“Ah, doutora…então eu devo deixar que a minha pressão arterial fique elevada para evitar o Glaucoma?”

De forma alguma! A Hipertensão Arterial provoca inúmeras alterações bastante danosas ao organismo como um todo. O ideal é manter uma pressão equilibrada, nem muito alta, nem muito baixa.

Em alguns pacientes que apresentam uma progressão da doença mesmo com controle rigoroso da PIO, pode ser interessante a realização do MAPA (medida ambulatorial da pressão arterial – um exame que mede a pressão arterial repetidas vezes num período de 24 horas), a fim de diagnosticar algum momento de baixa pressão, especialmente no período noturno.

Diabetes

post 6.9

Em pacientes diabéticos, especialmente naqueles com controle irregular, a primeira preocupação do oftalmologista é a respeito do desenvolvimento da Retinopatia Diabética. No entanto, o Glaucoma também pode ser provocado indiretamente por esta doença. Além do potencial de alterar drasticamente a vascularização da retina e do nervo óptico – o que, conforme explicamos no tópico acima, pode provocar progressão da lesão glaucomatosa -, uma retinopatia diabética grave pode provocar o surgimento de vasos sanguíneos anômalos em regiões oculares onde não deveriam estar presentes, como, por exemplo, o Ângulo. O fechamento do ângulo nessas situações pode desencadear um glaucoma de pressão ocular elevadíssima, provocando dor e uma rápida deterioração da visão.

Pudemos perceber que o desenvolvimento do Glaucoma pode ser relacionado a uma série de fatores de risco, alguns controláveis, outros nem tanto. Dessa forma, é importante que as pessoas que apresentam algum desses fatores realizem uma triagem no mínimo anual com o médico oftalmologista, para que o diagnóstico seja realizado o mais breve possível.

Nos artigos seguintes, conversaremos sobre os tipos de glaucoma, seu diagnóstico e tratamentos. Até a próxima.

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Posted on 2 de fevereiro de 2016 in Glaucoma

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