EXAME DE VISTA – o que esperar de uma consulta oftalmológica

exame de vista
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Um fato curioso que ainda me surpreende diariamente no atendimento em consultório é a quantidade de pessoas que está realizando o exame de vista pela primeira vez na vida. E, ao contrário do que você pode estar pensando agora, boa parte desse grupo são pacientes com mais de 35 anos!

Mas, o que há de errado nisso? Se a pessoa nunca sentiu nada, ela precisava ter ido antes fazer o exame de vista?

Na verdade, sim. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que, após o “teste do olhinho” realizado ao nascimento, devemos nos submeter a um exame de vista anualmente, desde a infância. O motivo é claro: existem várias doenças oculares que não provocam sintomas e podem evoluir silenciosamente até estarem bastante avançadas e, só então, provocarem alguma alteração perceptível ao paciente.

Entendi, então, o porquê de muitas pessoas não conhecerem a importância do exame de vista: muito provavelmente porque não sabem ou não entendem o que é feito durante uma consulta oftalmológica. Desconhecem que o passo a passo realizado pelo médico é capaz de revelar alterações daquelas doenças que ainda não estão gerando nenhuma queixa ao paciente – o famoso exame de vista de rotina.

Para te ajudar a entender o motivo pelo qual você visita, no geral, anualmente o seu oftalmologista (ou deveria visitar), explico aqui embaixo um pouquinho dessa nossa rotina de consulta.

O exame de vista de rotina

“Bom dia, eu sou a doutora Claudia. Pode ficar à vontade e me contar o que está acontecendo.”

“Bom dia, doutora. Nada está acontecendo. Vim realizar minha rotina anual.”

Seja você um paciente sem queixas realizando um exame de rotina ou um paciente que apresenta uma queixa, a consulta se inicia da mesma forma. Esse é o momento em que nós nos apresentamos e eu fico conhecendo um pouco mais sobre você, sua idade, alguma doença de base que você possa ter (hipertensão, diabetes, etc), seu histórico oftalmológico prévio (se já utiliza óculos ou já realizou alguma cirurgia ocular ou sofreu algum trauma, etc), se há histórico de alguma doença oftalmológica na sua família.

Nesse momento, a consulta ainda nem completou cinco minutos e eu já possuo uma lista de informações importantíssimas para conduzir o restante da consulta – várias doenças oculares têm caráter hereditário, várias doenças de base podem provocar alterações oftalmológicas, algumas têm maior prevalência em determinadas faixas etárias, etc.

A partir daí, seguimos para o exame.

Acuidade visual e Refração:

Utilizando uma tabela de letras ou números ou figuras chamada Tabela de Snellen, podemos verificar a qualidade da visão do paciente, ou seja, sua acuidade visual.

A melhor forma é pedir para que o mesmo leia as linhas com um olho destampado por vez, assim podemos determinar se a visão de um dos olhos possui maior prejuízo em relação ao outro.

Caso se mostre necessário (ou seja, o paciente não foi capaz de ler a linha com a escrita pequenina que representa a visão de 100%), seguimos para o exame de Refração. Esse é o exame de vista que mais apavora os pacientes.

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Praticamente todos morrem de medo de “errar” no exame da escolha das lentes. Então, eis uma boa notícia: não existe resposta errada!

Quando o oftalmologista pergunta “prefere esta primeira lente ou esta segunda?” estamos aos poucos comparando lentes diferentes até chegarmos àquela que produz uma visão mais nítida para o nosso paciente. E isso você é capaz de perceber durante o exame.

Para quem já apresenta sintomas de Presbiopia (“vista cansada” – perda da nitidez a uma distância de leitura), repetimos o processo, mas desta vez utilizando uma tabela a 33 centímetros de distância.

“E se a minha visão não ficar totalmente nítida com nenhuma lente testada?”

Caso essa situação se apresente, temos o primeiro indício de que pode estar ocorrendo algum problema ocular que impede a visão de ser perfeita mesmo com a correção por lentes. Esses problemas são investigados nas próximas etapas do exame de vista.

Exame na lâmpada de fenda:

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Apresento a vocês a lâmpada de fenda: aquele aparelho com ar de complexo, em que você apoia o queixo e a testa e o oftalmologista utiliza uma luz de intensidade moderada a forte para examinar o olho. Apesar de algumas pessoas apresentarem fotofobia (sensibilidade extrema à luz) neste exame de vista, saiba que a lâmpada de fenda é tão importante para o oftalmologista quanto um estetoscópio é importante para um médico clínico. Ela nada mais é do que um microscópio que nos permite examinar com detalhes várias regiões do olho.

Num primeiro momento, já podemos avaliar alterações nas pálpebras e cílios (como blefarite, calázio, etc), alterações na superfície ocular (como conjuntivites, alergias, olho seco, etc) e alterações já no interior dos olhos (catarata, inflamações como uveíte, etc).

Medida da pressão ocular:

“Medida da pressão ocular” é o termo popular que damos a um exame chamado Tonometria. Esse é um exame de vista de extrema importância, uma vez que a pressão ocular alta é o principal fator de risco para o desenvolvimento do Glaucoma. A pressão ocular levemente elevada já é capaz de provocar esta doença e não gera dor, embaçamento ou quaisquer outros sintomas. Apenas cursa com dor ou embaçamento visual quando extremamente elevada (menos comum).

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Portanto, cabe ao oftalmologista realizar essa medida de rotina e ela pode ser feita tanto pelo de sopro (o aparelho mede a pressão intra ocular de acordo com a deformidade que um jato de ar provoca na superfície do olho), quanto pelo tonômetro de contato (o aparelho mede a pressão intra ocular entrando em contato com a superfície do olho – mas não se assuste, você recebe uma gotinha de colírio anestésico para não sentir desconforto durante esse exame).

Exame de fundo de olho:

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Essa parte do exame de vista também é realizada na lâmpada de fenda, mas, dessa vez, com o auxílio de uma lente que permite ao oftalmologista enxergar a parte interna posterior do olho – a retina – jogando um feixe luminoso através da pupila.

Não posso mentir para você – essa parte do exame é desconfortável devido à fotofobia, especialmente se for realizado com a pupila dilatada (para isso, utilizamos colírios específicos que podem demorar de 20 a 40 minutos, em média, para deixar a pupila bem dilatada. Seu efeito pode levar de 4 a 6 horas, em média, para passar totalmente).

No entanto, sua importância é tanta, que o benefício de realizá-lo vence o desconforto. Na avaliação do fundo de olho, podemos verificar a anatomia do nervo óptico (a estrutura que é afetada no glaucoma e em uma série de outras doenças oculares), o aspecto dos vasos sanguíneos da retina (que podem estar alterados na Hipertensão Arterial e em várias outras doenças), a saúde do tecido da retina como um todo (que pode apresentar acúmulos de substâncias indevidas ou hemorragias em várias doenças como a Diabetes, etc), a saúde da mácula (região mais nobre da retina, responsável pela nossa visão central, e que pode ser acometida em algumas alterações oftalmológicas como a degeneração relacionada à idade – DMRI – etc).

Conclusão do exame de vista:

Todos os tópicos descritos fazem parte de um exame de vista básico de rotina. Ao final da sua consulta, você pode não apresentar qualquer problema e ser orientado a reavaliar apenas no próximo ano, ou verificar que necessita de óculos e os mesmos serão prescritos ou até apresentar alguma alteração que justifique uma rotina diferente de acompanhamento ou exames complementares.

O mais importante é confiar no atendimento que foi realizado, tirar todas as suas dúvidas, entender o que foi feito e, assim, sentir-se feliz e responsável por estar cuidando da sua saúde ocular da forma mais adequada! :)

 

 

 

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Posted on 19 de outubro de 2015 in Curiosidades Gerais

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