Conheça os tipos de GLAUCOMA

Tipos de Glaucoma
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Olá! Hoje continuaremos com a nossa série de artigos sobre Glaucoma. Em posts anteriores, expliquei mais sobre o que é a doença e os seus fatores de risco. Antes de prosseguir com a leitura de hoje, sugiro que você relembre esses conceitos iniciais lendo os artigos anteriores aqui e aqui.

Tudo relembrado? Então, vamos em frente.

 

Tipos de Glaucoma

Já sabemos que, de forma geral, o Glaucoma é uma doença do nervo da visão (o nervo óptico), que pode causar cegueira irreversível e que tem como principal fator de risco a pressão intraocular (sigla: PIO).

No entanto, existem alguns cenários em que esse quadro pode variar. Vamos conhecê-los:

 

Glaucoma Primário de Ângulo Aberto

Nesse momento, precisamos fazer uma pequena pausa para entendermos o que é esse tal de Ângulo que, inclusive, foi mencionado no artigo anterior. Para isso, vamos voltar ao nosso esqueminha da anatomia do olho:

Humor Aquoso no Glaucoma

A região mais anterior do olho (entre a córnea e a íris é chamada Câmara Anterior) é preenchida por um líquido: o Humor Aquoso. Esse líquido está em constante renovação, ou seja, existe uma estrutura do olho responsável por produzir o Humor Aquoso e outra estrutura responsável pelo seu escoamento, funcionando como um “ralo”. Esse “ralo” é chamado de Ângulo. Na foto, a seta vermelha indica o fluxo de renovação do Humor Aquoso – produzido no corpo ciliar, fluindo através da Câmara Anterior e escoando pelo Ângulo.

O equilíbrio entre produção e escoamento do Humor Aquoso é o que determina a nossa pressão intraocular.

Agora que sabemos o que é o Ângulo, vamos voltar ao Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (sigla: GPAA). Esse é o tipo mais comum de glaucoma. É chamado primário porque não é provocado por nenhuma outra doença ocular de base ou alteração da anatomia do olho.

Nesse momento você deve estar pensando: “Ok, eu entendo que o Ângulo escoa o Humor Aquoso. Mas, se ele está aberto, porque a pressão pode aumentar mesmo assim?

Aqui a explicação pode ficar um pouco mais complicada, então vou simplificar dizendo apenas que não é SOMENTE o fato do ângulo estar aberto ou fechado. Mesmo no caso de Ângulo aberto, podem existir outros fatores que atrapalham o escoamento do Humor Aquoso. Além disso, o problema pode estar em uma produção aumentada deste líquido ao invés de no seu escoamento, o que também faz a PIO aumentar.

 

Glaucoma Primário de Ângulo Fechado

Em algumas pessoas, a anatomia do olho pode estar um pouco alterada, gerando um estreitamento ou mesmo fechamento do Ângulo. Esse quadro também não é provocado por outras doenças oculares ou sistêmicas, portanto, também o chamamos de primário. Na imagem abaixo, a seta vermelha indica o fluxo do Humor Aquoso quando este não consegue escoar pelo Ângulo que está fechado – a tendência é que haja um acúmulo na Câmara Anterior.

Glaucoma de Ângulo Fechado

O Glaucoma Primário de ângulo Fechado (sigla: GPAF) não é tão comum quanto o GPAA e apresenta uma maior dificuldade para o controle da pressão ocular e progressão da lesão do nervo óptico. É fácil entender porque isso acontece: uma vez que o “ralo” está “entupido”, fica mais difícil para que o Humor Aquoso escoe, o que provoca aumentos mais severos da PIO.

Glaucoma de Pressão Normal

Apesar da elevada pressão ocular ser a principal causa de Glaucoma, podem existir casos em que essa doença surja mesmo em vigência de uma PIO considerada normal (no artigo Glaucoma: você está em risco expliquei sobre a faixa de pressão normal).

É possível surgir lesão típica de glaucoma em pacientes que possuem pressão ocular normal. No artigo Glaucoma: o vilão silencioso você pode encontrar a explicação detalhada sobre como é a lesão típica dessa doença.

Nervo Óptico no Glaucoma

Glaucoma avançado

 

Em alguns casos, o paciente pode apresentar uma flutuação importante do valor da pressão ocular ao longo do dia, chegando a uma PIO mais elevada em horários diferentes aos que realizou a consulta oftalmológica. Esses pacientes podem acabar recebendo o diagnóstico de Glaucoma de Pressão Normal erroneamente. No entanto, existem exames que podem desmascarar esses casos de flutuação da PIO – falaremos mais sobre os exames diagnósticos no próximo post.

 

Hipertensão Ocular sem Glaucoma

Medida da Pressão Ocular

 

Foto: Paquimetria – exame da medida da pressão ocular (PIO).

 

É bastante comum atender em meu consultório pacientes que iniciaram o tratamento para Glaucoma por terem recebido um diagnóstico prévio de pressão ocular elevada, porém, quando eu os examino, não constato nenhuma lesão glaucomatosa.

Esses pacientes muito provavelmente não têm Glaucoma, mas são os que chamamos de Hipertensos Oculares – pacientes que apresentam PIO elevada, mas ainda não desenvolveram a doença.

Nesse caso, o tratamento não é totalmente necessário. São casos suspeitos e, sim, apresentam um maior risco de desenvolverem a doença no futuro, porém, na maioria dos casos, é possível que realizem um acompanhamento periódico e, somente na vigência do surgimento de Glaucoma, iniciar o tratamento.

 

É importante não iniciarmos o tratamento do glaucoma sem uma absoluta necessidade, uma vez que os colírios utilizados podem representar um peso no orçamento do paciente e, ainda, alguns efeitos colaterais leves, porém, desnecessários nesses casos.

 

Glaucoma Secundário

Nesses casos de glaucoma, o paciente desenvolve aumento da pressão ocular e a lesão do nervo óptico devido a uma outra doença ocular ou sistêmica predisponente ou uso de medicamentos que podem provocar o aumento da PIO ou mesmo um trauma ocular.

Chamamos esses quadros de Glaucoma Secundário porque é uma doença secundária a um problema inicial.

 

Uma vasta lista poderia ser citada aqui, mas ficarei com exemplos mais comuns:

Inflamação intraocular, como a Uveíte, pode provocar aumento da PIO.

Uso de Corticóides – principalmente na forma de colírios e por longos períodos.

Diabetes pode provocar a Retinopatia Diabética que, por sua vez, em casos mais graves, pode cursar com aumento da pressão ocular.

Trauma ocular pode gerar sangramentos na região mais anterior do olho. O sangue ali acumulado pode “entupir” o Ângulo e atrapalhar o escoamento do Humor Aquoso, elevando a PIO.

 

Glaucoma Secundário

 

Há, ainda, casos de Glaucoma Congênito. Nessa situação, temos um paciente que nasceu com alteração nas estruturas que drenam o Humor Aquoso. Esses pacientes necessitam de uma rápida intervenção a fim de preservar a saúde ocular.

 

Glaucoma congênito

 

Bom, hoje você aprendeu que o Glaucoma não é uma doença tão simples assim e que pode cursar de diferentes formas, com diferentes prognósticos.

No artigo seguinte, veremos como são os exames diagnósticos e o tratamento desta doença. Até lá!

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Posted on 17 de fevereiro de 2016 in Glaucoma

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