CIRURGIA DE CATARATA – Por que mais de 50% das pessoas vão precisar?

cirurgia de catara
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Ih, lá vem mais uma doutora “puxar a brasa pra sardinha” da oftalmologia!

Eu? Eu não…quem vai falar agora é a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):

“A Catarata é responsável por aproximadamente 48% dos casos de cegueira no mundo.”

– OMS –


“No Brasil, a principal causa de cegueira é a Catarata.”

– IBGE –

E onde a cirurgia de catarata se encaixa nisso?

Aí vem a boa notícia: apesar da catarata não ser um processo evitável, ela é um processo reversível.

Afinal, o que é a Catarata?

Eu sei, Catarata é aquela “pelinha” que fica em cima do olho?

Não! Muitos pacientes confundem catarata com pterígio (esse, eu explico outro dia de onde vem e para onde vai), mas basta olhar a primeira foto ao lado para perceber a diferença.

A catarata está lá dentro do olho e não na sua superfície, mais precisamente, atrás da pupila.

E se eu te disser que praticamente todo mundo vai ter catarata? Achou um absurdo?

Mas se eu digo que todo mundo vai envelhecer, você acha normal, certo?

Pois é…a catarata nada mais é do que o envelhecimento de uma parte natural do nosso olho, o Cristalino. Na segunda foto, temos um desenho da anatomia do olho, bem simplificado, para ficar fácil de entender.

O Cristalino é a nossa lente natural. Localizado bem atrás da nossa íris (a parte colorida do olho) e a pupila (nossa “menina dos olhos”, aquela bolinha preta no centro da íris), a função dele é nos oferecer uma visão com foco, tanto para longe, quanto para perto. A luz que entra pela pupila, passa através do cristalino, e este consegue mudar seu formato para fazer com que as imagens foquem-se na retina (nosso fundo de olho), oferecendo, assim, uma visão nítida.

catarata versus pterígio

 

catarata

Como o próprio nome diz, ele precisa ser cristalino, transparente, para que a luz o atravesse com sucesso. Porém, conforme nosso olho vai envelhecendo, essa estrutura vai, bem aos poucos, ficando cada vez mais opaca, até mesmo numa tonalidade âmbar, perdendo sua transparência, o que dificulta a entrada de luz no olho e, por fim, impede uma visão com bom foco, prejudica a sensação de contraste e mesmo uma percepção adequada das cores.

Mas eu enxergo tão bem…

Essa é a frase que eu mais escuto no consultório quando dou o diagnóstico de Catarata aos pacientes.

Alguns (ok, muitos), ficam tão incrédulos que a primeira coisa que fazem ao sair da minha consulta é procurar uma segunda opinião com outro oftalmologista. Sei disso porque, às vezes, eu recebo pacientes que estão buscando essa mesma segunda opinião sobre o diagnóstico dado por outro médico.

De certa forma, eu entendo a incredulidade desses pacientes. Por mais que nós expliquemos o problema, cada um sabe o que está enxergando…mas é aí que está o problema:

O nosso cérebro é uma máquina maravilhosa! Tão maravilhosa que ele consegue fazer-nos adaptar a praticamente tudo. Agora, veja ali em cima no texto quando eu sublinhei a parte “bem aos poucos”. O envelhecimento do cristalino (ou seja, o surgimento da catarata), não acontece do dia pra noite. É um processo bastante lento. De modo que o nosso cérebro consegue se adaptar a essa visão prejudicada aos poucos, ao ponto de nós acreditarmos que aquela visão embaçadinha, meio amarelada, é o nosso normal.

Não acredita em mim? Vamos a um exemplo prático: você já deve ter ouvido falar num pintor francês chamado Claude Monet (aquele que adorava pintar as paisagens do jardim de sua casa). Um de seus quadros mais famosos é a pintura da ponte japonesa que atravessava o lago do seu jardim, lindamente retratado nas cores esverdeadas da natureza local – a ponte em si também era originalmente verde. Anos mais tarde, ele resolveu fazer uma nova pintura da mesma paisagem. Verifiquem na foto a diferença gritante das tonalidades:

catarata - alteração na visão

 

SAIBA MAIS...

Diariamente, recebo pacientes em meu consultório que apresentam diversas dúvidas sobre o que é a doença, o que a provoca, quando devemos tratar, quais são as opções de tratamento e o que esperar dos seus resultados. Por esse motivo, criei uma série de apostilas virtuais (e-books), onde explico mais sobre a Catarata, a cirurgia em si, o pré e o pós operatório. Minha intensão é desmistificar esse procedimento que muitas vezes é evitado por medo ou desconhecimento.

Você pode ter acesso a esse material gratuitamente, basta clicar no botão abaixo.

Monet tinha catarata e sua visão se deteriorou, incapaz de perceber os verdadeiros tons da paisagem. Como o cristalino com uma catarata mais avançada vai adquirindo uma tonalidade âmbar, ele enxergava tudo sob um filtro amarelado (observe essa mudança na foto).

Trazendo isso para os dias de hoje, vários são os pacientes acima de 60 anos que me procuram queixando-se de embaçamento da visão, de que suas televisões novas com tecnologia HD são umas porcarias, que os tecidos das roupas estão com um tom envelhecido, que ficam ofuscados em ambientes mais iluminados, etc.

Por que mais de 50% das pessoas vão precisar operar?

Agora que você já sabe que a Catarata é um processo de envelhecimento normal dos olhos, fica fácil compreender essa estatística. Todos envelheceremos, mas cada um na sua velocidade. Isso também explica porque algumas pessoas têm sua visão prejudicada pela catarata aos 65 anos e outras chegaram aos 85 sem grandes prejuízos (porém, a maioria dessas pessoas aos 85 anos provavelmente têm catarata, mas acreditam que a visão embaçada e amarela é o normal delas – seus cérebros as enganaram direitinho).

A cirurgia de catarata, atualmente, possui uma tecnologia bastante avançada e que continua avançando a passos largos. Muitos são os pacientes que ainda trazem uma lembrança de quando esse procedimento era realizado nas gerações passadas. Na época, recuperar totalmente a visão de forma segura não era a regra.

Hoje em dia, a cirurgia é rápida (em média, 30 minutos), realizada com anestesia local (menor risco para a saúde do paciente), indolor, não necessita de pernoite em internação hospitalar e a frequência de complicações pós-operatórias é menor que 1%.

Faz parte da avaliação pré operatória nos certificarmos da saúde ocular como um todo. Um paciente que não possua outras doenças que possam prejudicar a visão, poderá recuperá-la totalmente após a cirurgia de catarata.

Adiar não é seguro…

Preciso ser honesta nesse momento…alguns colegas médicos realmente contribuem para que a oftalmologia perca sua credibilidade junto à população (mais um motivo para que o paciente que recebe o dignóstico de catarata procure uma segunda opinião). A indicação de cirurgia de catarata antes do necessário é uma realidade sim, mas não é a maioria dos casos.

Então, quando eu preciso operar a catarata?

A catarata deve ser operada quando ela já oferece algum prejuízo à visão do paciente. Na grande maioria das vezes, baseia-se na quantificação da visão através daquelas tabelas de letras e números usadas no exame de acuidade visual (que eu expliquei aqui), mas a decisão de operar deve avaliar muito mais do que isso. Precisamos realmente ouvir as queixas dos pacientes, em que situações eles apresentam desconforto visual, com que frequência e qual o impacto disso em suas vidas.

cirurgia de catarata

Mesmo quando o paciente acredita que enxerga bem (olha o nosso cérebro adaptado nos enganando), se pesquisarmos a fundo, podemos verificar e demonstrar a essas pessoas o grau de prejuízo visual.

Por que adiar não é seguro?

Repare naquela foto da anatomia do olho ali em cima, que o nosso cristalino não está “flutuando” dentro do olho. Ele é fixado na sua posição correta através de outras estruturas. Conforme o cristalino envelhece, essas estruturas se degeneram junto. Porém, quando realizamos a cirurgia de catarata, que é a troca da nossa lente natural (o cristalino) por uma lente artificial transparente, precisamos dessas estruturas de fixação saudáveis, porque são elas que vão segurar a nova lente no lugar.

Quanto mais adiarmos a cirurgia depois de recebido o diagnóstico, mais essas estruturas perdem qualidade e maior o risco de insucesso. Além disso, a catarata mais avançada torna-se mais endurecida, fazendo com que a cirurgia nessa situação seja mais trabalhosa, a manipulação mais intensa e demorada, ou seja, aumenta os riscos durante e após o procedimento.

Mas se a catarata é um envelhecimento, porque ela pode aparecer em pessoas mais novas?

Apesar do surgimento mais comum da catarata dar-se pelo envelhecimento, ou seja, acima dos 60 anos de idade, algumas pessoas podem desenvolvê-la antes.

Infecções maternas durante a gravidez (como rubéola ou toxoplasmose) podem passar para o feto, ocasionando, entre outras complicações, o surgimento da catarata ainda no começo da vida (um dos motivos pelo qual realizamos o “teste do olhinho” na maternidade).

Traumas oculares, doenças crônicas (como a diabetes), uso de medicamentos (ex: corticóides) ou substâncias (ex: tabagismo), bem como processos inflamatórios intra-oculares (como a uveíte) podem acelerar esse envelhecimento do cristalino e provocar catarata.

SAIBA MAIS...

Diariamente, recebo pacientes em meu consultório que apresentam diversas dúvidas sobre o que é a doença, o que a provoca, quando devemos tratar, quais são as opções de tratamento e o que esperar dos seus resultados. Por esse motivo, criei uma série de apostilas virtuais (e-books), onde explico mais sobre a Catarata, a cirurgia em si, o pré e o pós operatório. Minha intensão é desmistificar esse procedimento que muitas vezes é evitado por medo ou desconhecimento.

Você pode ter acesso a esse material gratuitamente, basta clicar no botão abaixo.

Tirem suas dúvidas com seus oftalmologistas de confiança e não tenham medo de buscar uma visão melhor! :)

 

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Posted on 25 de outubro de 2015 in Catarata

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