ASTIGMATISMO: eu só ouço falar

Astigmatismo
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“Sr. Fulano, o senhor tem Astigmatismo.”

“Ih doutora, já ouvi falar muito disso, mas não sei o que é…”

Essa acima é uma clássica conversa de consultório. Poucas pessoas sabem exatamente o que é o Astigmatismo, apesar de ele ser um tipo de erro de refração bastante comum – lembra que nós já falamos sobre erros de refração antes? Lá nos posts sobre miopia e presbiopia. Em termos práticos, são os tipos de grau que uma pessoa pode ter.

Diferente da miopia e hipermetropia, que são tipos de grau mais associados ao tamanho do comprimento do olho, o Astigmatismo está relacionado à curvatura da córnea.

Pequena pausa para o momento “recordar é viver” deste post:

 

Astigmatismo

 

 

 

 

A córnea é a parte mais anterior do olho, aquela “tampa” transparente à frente da nossa íris. Ela é a principal responsável pela refração, ou seja, a capacidade de direcionar os raios de luz que chegam no nosso olho para que foquem na retina, lá no fundo do olho (outra estrutura que auxilia a córnea nessa função é o Cristalino, mas já explicamos a parte dele aqui).

É de extrema importância que a superfície da córnea seja a mais regular possível, para que possamos obter uma imagem focada de qualidade. Além de uma boa lubrificação, como mencionamos no artigo de olho seco, a curvatura da córnea precisa ser bem uniforme para que isso ocorra.

O Astigmatismo surge quando a curvatura da córnea não é totalmente uniforme e regular.

“Como assim, doutora?”

Explicando de uma forma simples e resumida…quando olhamos no espelho, temos a impressão de que a nossa córnea é redondinha…como se alguém tivesse cortado uma fatia de uma bola redonda, veja abaixo:

 

astigmatismo

Mas, na verdade, em boa parte dos casos ela é ligeiramente ovalada, fazendo com que eixos diferentes tenham curvaturas diferentes, como se fosse uma fatia de uma oval.

Quando existe uma diferença importante de curvatura entre eixos, o astigmatismo começa a ser significativo e realmente interferir na nossa visão. Isso ocorre porque cada eixo de curvatura acaba convergindo os raios de luz para um ponto diferente, criando vários pontos de foco, o que bagunça a interpretação da imagem pra gente. Veja:

 

astigmatismo

O resultado disso é uma imagem borrada, como se enxergássemos tudo com um “fantasminha”, assim:

 

astigmatismo

A principal causa do astigmatismo é a genética, mas algumas doenças oculares (como o Ceratocone, trauma ocular, alterações palpebrais, etc) podem provocar o seu surgimento e alterar sua evolução.

Sintomas do Astigmatismo

Como todo erro de refração o embaçamento da visão é o principal sintoma do Astigmatismo. No entanto, é um pouco diferente do embaçamento da miopia e da hipermetropia, que tendem a ser mais difusos. No astigmatismo, costumamos ver “fantasmas” nas letras e objetos.

Na prática, porém, é muito comum que o astigmatismo exista em associação com a miopia ou a hipermetropia, sendo muito dificil perceber essa diferença entre os tipos de visão embaçada.

Normalmente, ele atrapalha mais a visão para distância, mas pode atrapalhar bastante a visão para perto se for de um grau elevado.

Cefaléia, cansaço visual e incômodo com a claridade (fotofobia) também são sintomas associados ao astigmatismo.

Tratando o Astigmatismo

Basicamente, como em todo caso de erro de refração, precisamos compensar o astigmatismo com um uso de lentes corretivas – óculos ou lentes de contato.

Quando alguém necessita desse tipo de correção, ou seja, quando o astigmatismo apresenta alteração significativa na visão, geralmente um dos eixos da córnea tem uma curvatura muito mais acentuada que os demais, sendo este o que devemos compensar com o grau adequado.

“Mas, doutora, como é que se corrige somente um eixo da córnea?”

Já reparou que, na prescrição dos óculos para astigmatismo, o grau vem acompanhado de um ângulo, por exemplo: 1,50 graus de astigmatismo a 50º. Nesse momento, você deve lembrar mesmo lá das aulas de colégio em que usávamos um transferidor:

 

astigmatismo

 

Essa determinação do ângulo é justamente para que o grau dos óculos corrija apenas o eixo que está destoando mais, ou seja, provocando o astigmatismo.

(sim, minha gente, oftalmologia tem muita física envolvida!!!)

Além do uso de óculos, temos a opção de lentes.

Lentes de contato no Astigmatismo

Nesse momento a coisa pode complicar de leve, porque nem todo mundo necessita de uma correção específica para o astigmatismo quando vai utilizar lentes de contato.

Caso o grau seja baixo (geralmente menos de um grau de astigmatismo) e se for menor que o grau de miopia e hipermetropia que também precisa corrigir, basta que a lente esteja em contato com a córnea para regularizar as curvaturas da sua superfície, compensando quase que totalmente esse pouco astigmatismo, sem a necessidade de correção específica para esse grau. Nessa situação, uma lente gelatinosa esférica já consegue prover uma visão razoável.

Agora, caso o astigmatismo seja mais elevado ou o único erro de refração que a pessoa possui, já é necessário corrigi-lo. Entram em cena as lentes gelatinosas tóricas.

 

ASTIGMATISMO

 

Outra opção – e muitos oftalmologistas dirão que é a melhor para esses casos – são as lentes de contato rígidas. De fato, proporcionam uma melhor correção do grau de astigmatismo, têm menor risco de contaminação, mas são menos confortáveis do que as lentes gelatinosas. Quando a superfície da córnea é bastante irregular, como em casos de Ceratocone, por exemplo, são a melhor opção para tentar obter uma visão de mais qualidade.

O médico oftalmologista deve avaliar cada caso para estabelecer a melhor opção de tratamento, que pode ser, inclusive, cirúrgico.

 

Espero ter esclarecido se não todas, a maioria das dúvidas sobre o Astigmatismo. Nos vemos no próximo artigo.

Até mais  :)

 

 

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Posted on 7 de junho de 2016 in Erros de Refração

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