As tais MOSCAS VOLANTES

moscas volantes
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Olá, pessoal!

Devo confessar que a inspiração para o artigo de hoje foi um problema pessoal meu: as tais Moscas Volantes.

Essa é provavelmente uma das queixas mais frequentes no consultório de oftalmologia. Tão comum que você provavelmente já as viu alguma vez, especialmente em ambientes claros ou ao olhar para paredes brancas e lisas ou para o céu.

As moscas volantes podem assumir um formato de ponto preto ou até filamentos ou aspecto de teia de aranha e, conforme movemos os olhos, elas adquirem o seu próprio movimento.

“Mas doutora, o que exatamente são essas moscas volantes?”

Bom, para explicar isso, vamos voltar ao nosso esquema da anatomia do olho. Vejam a seguir.

Moscas volantes: da onde vêm e para onde vão?

 

glaucoma - anatomia

Observando a imagem, vamos focar nossa atenção no Humor Vítreo.

O nosso olho não é oco. A maior parte do interior do olho é preenchida por uma substância que possui uma consistência de gel, chamada Vítreo (ou humor vítreo).

Durante a maior parte das nossas vidas, o Vítreo mantem-se colado à parede interna do olho – a Retina. Além disso, para que a luz que entra nos olhos seja bem conduzida até a Retina, gerando uma boa formação da imagem para nós, o Vítreo deve ser totalmente transparente e uniforme.

Com o tempo, o vítreo pode se liquefazer, perdendo sua característica gelatinosa.

Um pouquinho de aula de química agora (mas não se assuste):

O vítreo é formado basicamente por água (99%) e uma rede de colágeno e ácido hialurônico (1%), sendo que esses últimos fornecem a consistência gelatinosa e o ácido hialurônico retém água. Quando essa rede se desfaz, ocorre a liberação da água retida e o colágeno quebra-se em fibrilas.

Como consequência do vítreo liquefeito, as fibrilas tornam-se as moscas volantes.

Outra consequência é o vítreo descolar da retina, devido às contrações estruturais que ele sofre após se liquefazer.

moscas volantes

 

Nesse momento, é comum que o vítreo, ao descolar-se da retina, estimule-a através de pequenas trações ou, em alguns casos, provoque pequenos rasgos no tecido retiniano, condição esta que deve ser tratada com rapidez.

Outras causas de surgimento das moscas volantes, ainda que bem menos frequentes do que a idade mais avançada, são:

1) miopia

2) inflamações intra-oculares, como uveítes

3) cirurgia oftalmológica, como a de catarata

4) alterações de depósito no humor vítreo, como a hialose asteróide (cálcio acumulado na rede de colágeno)

Moscas Volantes e seus sintomas

O principal sintoma é a própria visualização das moscas volantes. É muito comum pacientes relatando que chegaram a se confundir, pensando ser mosquitos e tentando espantá-los.

 

moscas volantes

Gosto de explicar a visualização das moscas lembrando daquela brincadeira de fazer sombras na parede colocando as mãos em frente a um foco de luz:

Dependendo da posição das fibrilas no vítreo, elas podem estar justamente no caminho da luz que entra no olho através da pupila. Quando isso ocorre, elas criam verdadeiras sombras na retina, o que acaba por se traduzir na visualização das moscas volantes e dando mesmo a impressão de que são algo que está fora do olho. Observe:

 

moscas volantes

 

Conforme expliquei acima, é possível que o vítreo tracione a retina ao descolar-se dela. Essa tração gera sintomas visuais como flashes de luz.

Uma consequência mais grave, seria a criação de rasgos na retina, os quais chamamos de roturas retinianas. Essas são grandes riscos para o descolamento da retina e cegueira decorrente deste e devem ser tratadas imediatamente.

 

rotura da retina

 

Surgiram Moscas Volantes: o que fazer?

Na grande maioria dos casos, as moscas volantes são uma alteração que podemos esperar que surja normalmente com a idade, especialmente após os 45 anos. No entanto, não são exclusivas desta faixa etária, podendo surgir em pessoas mais jovens, especialmente em míopes, pessoas que já passaram por algum quadro inflamatório ocular, cirurgia ou trauma.

As moscas volantes representam um certo desconforto dependendo da sua densidade no vítreo, mas raramente oferecem riscos permanentes à visão.

Porém, em uma minoria dos casos (gosto de destacar as pessoas com altos graus de miopia nesse grupo de risco), o descolamento do vítreo pode ocasionar as roturas de retina, conforme explicado anteriormente.

Via de regra, em situações de surgimento agudo das moscas volantes ou um aumento do número delas ou visualização de flashes luminosos, faz-se necessária uma visita ao médico oftalmologista para uma investigação completa.

Os exames mais comumente realizados são o mapeamento da retina e o ultrassom ocular, a procura de lesões na retina e visualização das fibrilas no vítreo.

 

mapeamento de retina

ultrassom ocular

 

“E como tratar essas moscas volantes, doutora?”

Normalmente, como não ofererem riscos à visão, nenhum tratamento é indicado. É importante ter em mente que, com o tempo, as moscas tendem a incomodar menos ou mesmo deixarem de ser vistas, devido ao costume. Eu mesma já não percebo tanto as minhas :)

Cirurgia do segmento posterior do olho, a vitrectomia, não é indicada para a retirada das mesmas por ser arriscada e poder causar problemas mais sérios.

 

O mais importante é tornar-se atento à modificação das moscas ou ao surgimento de flashes luminosos e procurar seu médico oftalmologista de confiança caso esses sintomas ocorram.

 

Um grande abraço e até a próxima! :)

 

 

 

 

 

 

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Posted on 2 de agosto de 2016 in Curiosidades Gerais, Retina

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